Pescando Robalo

O RESGATE DO NECESSÁRIO

O texto foi escrito pela Suilene Campos Rodrigues Vianna. Trabalho feito no curso de Casal.

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No último domingo indo à igreja, no caminho quando atravessava a Rua 14 de Julho no centro da cidade pude contemplar e observar uma grande mudança na fachada do comércio de Campo Grande, menos poluição visual, prédios restaurados, janelas em destaques, cores diversas, cada qual em seu estilo. Olhei, gostei e comentei: Olha que lindo está ficando o centro de nossa cidade!

Naquele momento em que apreciava a beleza e alterações feitas, fiquei impelida a refletir sobre o quão é importante voltarmos atrás e trazer de volta aquilo que outrora era necessário, estão transformando as novas fachadas em algo novo ou estão resgatando algo simples, genuíno que outrora era suficiente para dar ênfase ao nome e a identidade do comércio de nossa capital?

Antes da reforma percebíamos que cada prédio ou loja buscava seu valor querendo aparecer mais, sobressaindo diante dos outros e o resultado era poluição, competição e exagero. Os nossos cinco sentidos o tempo todo recebia informações daquilo que as lojas queriam aparentar externamente e assim fazer com que os clientes olhassem para ela, chamando atenção para si, isto é para loja.

Como educadora não resisti em fazer uma analogia sobre o resgate do necessário em nossa vida também!

Que tal resgatar a autoridade dos pais e professores, que muitas vezes ficam submetidas às exigências de políticas públicas que as normatizam?

Que tal resgatar o tempo em que nos finais de semana a família toda se reunia para comer aquela “macarronada da vó”?

Que tal lembrar-se do tempo em que as crianças treinavam habilidades motoras subindo em árvores e correndo atrás de pipas, ao invés de ficar atrás de um computador se relacionando com centenas mas tão solitários?

Que tal resgatar o tempo em que a família reunia-se na sala para assistir televisão juntos ao invés de cada um ir para o cômodo de forma individual?

Que tal resgatar o tempo em que os pais decidiam o horário para as crianças dormirem, e também o horário que jovens poderiam chegar de uma festa ou balada?

Que tal resgatar o tempo em que ao dormir o filho ou a filha dizia: “BENÇA PAI, BENÇA MÃE”?

Que tal resgatar o tempo em que o falar era mais importante que um papel assinado?

Que tal resgatar a qualidade do ensino e do reconhecimento dos esforços individuais do aluno e dos filhos ao invés da ascensão e ampliação de diplomados, cujo resultado no mercado de trabalho está aquém do esperado?

Que tal resgatar o tempo em que as leis já existentes valiam para todos, sem ser necessário criar novas em detrimentos de grupos sociais?

CREIO QUE ESTA É A HORA!

Naquele momento resolvi olhar para dentro de mim e verificar o que precisa ser removido, afinal não consigo mudar o outro, mas a mim, sim!

Posso escolher ser mais tolerante, mais amável, educada, me colocar no lugar do outro, exigir menos meus direitos e praticar meus deveres, sem precisar encontrar a solução através de uma “fachada”, no qual é um recurso que talvez esteja impedindo de mostrar quem realmente eu sou aos olhos de Deus!